

Este espectáculo é o culminar de um projecto que surgiu como resposta a uma preocupação pessoal no que diz respeito à situação actual da terceira idade...
... a solidão, o abandono e a privação dos afectos são alguns dos problemas mais graves com que se depara a maioria dos idosos o que lhes sugere um futuro sem esperança.
Os velhos são muitas vezes vistos como seres débeis, vulneráveis e que estão expostos a doenças físicas e psíquicas...

...e quem não estaria?... imaginemos que no momento de partilhar as nossas experiências, conhecimentos e conquistas não estava lá ninguém... e se tivéssemos gosto em aprender mas ninguém nos quisesse ensinar por achar que “já não vale a pena”?... e se um qualquer estereótipo social dissesse que somos chatos?... e se por essas e por outras não conseguíssemos comunicar?...
E se o Teatro pudesse contrariar esta tendência?
A ideia de partida do projecto era a de criar uma peça teatral a partir de histórias recordadas por estes actores, por forma a podermos pensar e debater o que mudou desde as suas infâncias até agora e o que continua a ser pertinente passar...

Alguém disse que os velhos parecem crianças?... as crianças é que sabem!... curiosas pela vida, experimentam, enganam-se aprendem e experimentam mais... chegado o ponto da vida em que entendemos que tudo é mais simples, para quê complicar?... vai-se mais devagar para se poder apreciar melhor esta vida... que só a cada um pertence... cada um a inventa... e que gozo maior que poder desfrutá-la em conjunto?

A alegria foi a palavra chave neste processo... a fechadura foi o coração... o respeito foi o que nos fez perceber que sem alterar o pilar da casa, podemos remodelá-la... derrubar algumas paredes, construir outras, fechar portas... podemos falar com os vizinhos... descer ou subir o estore... e podemos abrir a janela para entrar um pouco de luz... e respirar fundo para relaxar... no final é bom desfrutar da nossa obra prima e abrir a porta a quem quiser entrar... sabendo que em breve haverão outras renovações que podemos fazer... neste cenário...
Não somos DeCoração, estamos DeCoração!